O Banco Digimais, ligado ao empresário e líder religioso Edir Macedo, passou a ser investigado pela Polícia Federal na Operação Miragem, que apura suspeitas de fraudes financeiras. Paralelamente, a instituição enfrenta reclamações de clientes sobre a forma como cobranças de financiamentos de veículos teriam sido realizadas.
Consumidores relataram ter recebido comunicações que davam a entender ligação com o Departamento Estadual de Trânsito, embora as mensagens tratassem de parcelas em atraso de contratos firmados com o banco. Em uma das queixas, o cliente afirmou que notificações usavam o nome do órgão de trânsito para tratar da dívida.
Também houve relatos de mensagens enviadas por assessorias de cobrança com menções a possíveis medidas como suspensão da CNH, bloqueio do Renavam e busca e apreensão do veículo. Diante das reclamações, o Digimais reconheceu falhas pontuais em comunicações encaminhadas a clientes.
A ouvidoria do banco informou que uma das mensagens não seguia o padrão adotado pela instituição. Em outro caso, o banco afirmou ter identificado divergência específica em contatos feitos por empresas terceirizadas responsáveis pela recuperação de crédito. A instituição declarou ainda que reforçou orientações internas sobre conduta e comunicação com consumidores.
No âmbito da Operação Miragem, a Polícia Federal investiga suspeitas de manipulação de registros contábeis e demonstrações financeiras por executivos e pessoas ligadas ao banco. Segundo a apuração, a prática teria como finalidade ocultar a real situação patrimonial da instituição, projetar aparência de solvência ao mercado e viabilizar operações consideradas irregulares.
A ação cumpriu nove mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio de mais de R$ 670 milhões em bens e ativos.
Até a divulgação das informações, o Banco Digimais não havia se pronunciado oficialmente sobre as acusações relacionadas à investigação da Polícia Federal. Sobre as reclamações de clientes, afirmou que os casos foram analisados internamente e que eventuais falhas de comunicação não representam os padrões adotados pela instituição.
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