A Região dos Lagos teve crescimento expressivo nos registros de estelionato em dez anos. As ocorrências passaram de 1.556, em 2015, para 8.422, em 2025, avanço de 441%.
Os números integram o estudo Panorama da Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015-2025, elaborado pela Firjan a partir de dados do Instituto de Segurança Pública. A análise inclui Araruama, Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Iguaba Grande, Rio das Ostras, São Pedro da Aldeia, Saquarema e Silva Jardim.
Cabo Frio concentrou o maior volume de registros em 2025, com 2.492 casos. Em seguida aparecem Rio das Ostras, com 1.952 ocorrências; Araruama, com 1.176; e Saquarema, com 1.075.
No estado do Rio de Janeiro, o total de estelionatos chegou a 146.981 registros em 2025. O número representa aumento de 313% em comparação com o contabilizado uma década antes.
O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, avalia que as políticas de segurança devem considerar as particularidades de cada região. Para ele, observar apenas os indicadores estaduais pode dificultar a identificação dos crimes que mais impactam cada localidade.
Enquanto o estelionato avançou, outros índices criminais recuaram na Região dos Lagos. A letalidade violenta caiu de 364 registros, em 2015, para 230, em 2025, queda aproximada de 37%. Ao longo do período analisado, foram registradas 3.929 vítimas desse tipo de crime.
Os roubos de rua também diminuíram. As ocorrências passaram de 1.318 para 549 em dez anos, redução de 58,3%.
A extorsão, por outro lado, apresentou alta. Os registros subiram de 94, em 2015, para 226, em 2025, crescimento de 140,4%.
Para a Firjan, o aumento de crimes como estelionato e extorsão indica mudança no perfil da criminalidade. A entidade aponta a necessidade de ações voltadas também para fraudes em ambientes digitais.
O gerente-geral de Estudos e Estratégias da Firjan, Isaque Ouverney, defende a criação de um fórum permanente com participação do setor produtivo, do poder público e da sociedade civil para acompanhar e discutir políticas de segurança de forma regional.
A entidade estima que a insegurança e a ilegalidade gerem custo anual de R$ 31,1 bilhões para a economia fluminense. Entre as medidas consideradas prioritárias estão o reforço das investigações sobre fraudes, o uso de inteligência contra o crime organizado e a ampliação do acesso a dados públicos para orientar as ações de segurança.
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